Desta vez, entrevistamos Anke Buchmann - artista cerâmica e anfitriã do Ceramic Starter Workshop em Berlim, Alemanha - para falar sobre o barro como professor, a criatividade como presença e por que o processo importa mais do que o objeto final.

Que tipo de arte você cria?
Trabalho na interseção entre escultura, cerâmica e performance. O barro é meu material principal, e minha prática é profundamente orientada pelo processo. Vejo minhas obras escultóricas como arquivos físicos de experiências corporificadas, emoções e gestos performativos. O processo desempenha um papel central na minha prática e, às vezes, é mais importante que o objeto final.

Como você descobriu seu caminho na arte?
Descobri o barro aos 6 anos.
O material se tornou meu refúgio e uma ferramenta para me expressar com total liberdade, sem limitações externas. Meu caminho se desenvolveu gradualmente através da prática. Sempre fui atraída por trabalhar com as mãos, mas foi através do barro que percebi como o material, o corpo e a mente podem estar profundamente conectados. Com o tempo, minha prática deixou de se concentrar na produção de objetos e passou a ouvir e observar o que quer emergir através do material.

O que te mantém motivada a continuar praticando a arte?
A arte me faz sentir viva e conectada ao que nos torna humanos. Meu processo artístico me permite manter um diálogo comigo mesma e com o mundo. Enquanto houver perguntas que eu não consiga responder completamente, sinto-me motivada a continuar criando. A arte me ajuda a me compreender e a dar sentido ao que emerge. Enquanto tudo ao nosso redor muda constantemente, posso me ancorar na minha arte e não me perder na correria.

Olhando para trás, qual foi seu maior destaque pessoal como artista?
Criar meu próprio estúdio e transformá-lo em um espaço para pesquisa artística e experiências compartilhadas. Isso marcou a transição de trabalhar isoladamente para abrir minha prática a outros, através de workshops, performances, exposições e colaborações. E, claro, meus estudos em uma das principais escolas de arte do mundo moldaram profundamente minha prática artística, pelos quais sou muito grata.

Quando você se sente mais criativa ou produtiva?
Quando as contas estão pagas e tenho espaço mental para criar sem distrações externas.
Quem ou o que te inspira mais?
A inspiração pode ser encontrada em qualquer lugar, mas busco principalmente dentro de mim mesma. Além disso, minha prática de meditação, a dança contemporânea e, claro, o próprio material. O barro é meu professor.

Quais pequenas coisas da vida te dão maior alegria?
São muitas, mas acho que tudo começa com uma boa noite de sono, comida caseira, prática de movimento, luz do sol e conexão - seja com o barro, comigo mesma ou com pessoas que amo.

Você tem uma visão ou objetivo em que está trabalhando atualmente?
Estou trabalhando para aprofundar a conexão entre performance, escultura e meditação, desenvolvendo uma nova série de obras e criando espaços onde outros possam experienciar a criatividade como uma forma de presença, em vez de apenas resultado.

Como você definiria uma vida bem vivida?
Uma vida vivida de forma consciente, curiosa, honesta e corajosa.
O que você faz quando se sente bloqueada ou sem inspiração?
Mover-se e respirar. Começar de algum lugar, saindo da cabeça e entrando no corpo. O barro me ajuda muito nesse processo.

Qual sentimento você mais ama?
A sensação de estar viva.

Qual sentimento você menos gosta ou acha mais difícil de lidar?
Com a meditação, aprendi que não existem sentimentos ruins. Mas é claro que alguns sentimentos são mais difíceis de lidar do que outros. Sentir-se perdido é provavelmente um dos mais difíceis. Dito isso, sinto-me afortunado por ter experimentado a beleza do processo criativo e como ele pode ensinar a abraçar o desconhecido. O luto também é particularmente difícil. Especialmente porque muitas vezes vem acompanhado de uma falta de energia. Qualquer um desses sentimentos, porém, é um convite para estar com eles, conhecê-los e senti-los. A beleza de ser artista é que você pode usar isso e deixar que se transforme através do seu trabalho.

Qual seu filme favorito — o primeiro que vem à mente?
Call Me by Your Name, de Luca Guadagnino.
Qual livro você recomendaria a qualquer pessoa — o primeiro que vem à mente?
Letting Go, de David R. Hawkins.
Se você pudesse ouvir apenas uma música pelo resto da vida, qual seria?
Mmmm, difícil… acho que o som do oceano.

Qual seu prazer culpado favorito?
Chocolate.

Há algum alimento ou bebida sem o qual você não pode viver?
Além do chocolate, é água e lasanha.
Qual é o seu lugar feliz — em casa, na natureza ou em outro lugar?
No estúdio, criando ou na minha cama, dormindo.

Nomeie um artista ou pessoa que te inspira - o primeiro que vem à mente.
São dois: Marina Abramović e Lucio Fontana.

Obrigado por dedicar seu tempo para nossa entrevista, Anke.
Se você quiser conhecer, criar e aprender com Anke pessoalmente, não perca um dos próximos Ceramic Starter Workshops em Berlim, Alemanha!
Até a próxima,
Katja

Katja Krämer, fundadora e organizadora da subcultours